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29 de Março de 2020

Retrospectiva 2019 e Perspectivas para o Mercado Financeiro e Bolsa de Valores em 2020

Essa mídia é meramente informativa e não é uma recomendação de investimento, o mercado acionário e financeiro é bastante volátil e você deve pesquisar ou procurar algum profissional credenciado em investimentos para proteger seu patrimônio. O investimento em ações é de alto risco.

Natan Miguel, Estudante de Direito
Publicado por Natan Miguel
há 2 meses

Sem dúvidas 2019 foi um grande ano para a bolsa de valores, o Ibovespa principal índice do mercado acionário brasileiro chegou ao final deste ano com valorização de mais de 31,58%, sendo este um dos maiores resultados visto nos últimos 10 anos, perdendo apenas para o ano de 2016 quando o índice subiu 38,94%. O penúltimo pregão de 2019 foi de realização de lucros, face ao fato de o índice ter superado o patamar dos 117 mil pontos na véspera.¹

Neste ano tivemos muitos destaques na em nossa bolsa, entre os papéis que mais se valorizaram a campeã foi a empresa QUALICORP com uma valorização de mais de 243%; tivemos também destaque no ramo financeiro com o BANCO BTG que teve valorização de 235,35%; no setor de varejo a VIA VAREJO foi o grande destaque do ano com uma valorização de 154,44% com o mercado visualizando muito bem o movimento da troca de comando da companhia, e também com boas perspectivas de geração de caixa ante ao fato da liberação dos saques do FGTS, o aumento no poder de compra das famílias brasileiras, o giro de estoque da companhia, e também as mudanças de logísticas.

Podemos visualizar algumas outras empresas que também tiveram excelente valorização neste ano e também algumas das piores no gráfico:

2. CENÁRIO LOCAL

Em um ano marcado por uma considerável melhoria das perspectivas econômicas no país, podemos destaca que o mercado visualizou muito bem:

· A aprovação da reforma da Previdência que poderá reduzir cerca de 800 bilhões em um período de 10 anos², não obstante importante também destacar;

· A atuação do Banco Central do Brasil em acompanhar os mercados externos e efetuar os cortes sucessivos da taxa básica de juros (SELIC), alcançando o patamar de 4,5% ao ano;

· A taxa de desemprego caiu para 11,2% no mês de novembro, sendo a menor desde o trimestre encerrado em março de 2016 quando foi de 10,9%, porém ainda atinge 11,9 milhões dos brasileiros segundo o IBGE.

Segundo o IBGE, contribuíram para a queda no desemprego no mês passado as vagas temporárias abertas no comércio para fazer frente às datas comemorativas de final de ano. Com isso, a população ocupada chegou ao recorde de 94,4 milhões de pessoas

· Interessante também apontar a movimentação do governo em propor reformas e melhorias para recuperar a confiança externa e também consolidar o mercado aos avanços estrangeiros, e o fator mais importante sem sombra de dúvidas é a busca de um novo período de solidez e estabilidade para os negócios;

· O Credit Default Swap (CDS) de cinco anos do Brasil atingiu o patamar de 98,2 pontos, a pontuação mais baixa desde novembro de 2010 (96,9 pontos). Período em que o país ainda possuía o grau de investimento em bom pagador. Para os leigos o CDS basicamente funciona como um termômetro informal que indica a probabilidade de um país dar calote no mercado financeiro global nos próximos cinco anos.4

“A pontuação era de 110,66 pontos em 10 de maio de 2013, período que antecedeu os protestos de rua que ficaram conhecidos como jornadas de junho e marcaram o início da instabilidade política e econômica no país, que contribuíram para a recessão.

A queda de juros, a aprovação da reforma da Previdência e a trégua na guerra comercial entre Estados Unidos e China foram alguns dos motivos que levaram o Brasil a voltar ao patamar pré-retração. 5

· Foi aprovado pelo governo a liberação do valor de R$ 500,00, por conta ativa ou inativa do FGTS, injetando mais de 28 bilhões de reais na economia do país, desta forma com a medida os recursos liberados trouxeram uma queda acentuada na inadimplência do país e geraram mais fôlego ao crédito. Posteriormente o valor foi aumentado em R$ 998 para contas dentro de regras específicas, o que gera ainda mais impactos para economia dentro do país, acelerando principalmente o consumo e o movimento do comércio varejista.6

· A agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) elevou de estável para positiva a perspectiva da nota da dívida pública brasileira. “A perspectiva positiva significa que a agência pode elevar a nota do país nos próximos dois anos. Atualmente, a S&P concede nota BB- para o Brasil, três níveis abaixo do grau de investimento, garantia de que o país não corre risco de dar calote na dívida pública”.7

· O Banco Central subiu a projeção do PIB em 2019 para 1,2%, segundo o órgão a economia vem crescendo um pouco mais do que o esperado. As expectativas ficaram mais positivas após a divulgação do PIB do terceiro trimestre, que foi acima do esperado.“No documento, o BC reforçou que isso veio a reboque da melhor perspectiva para o PIB neste ano, além de previsão de ritmo de crescimento ao longo do ano “ligeiramente superior” à considerada no relatório anterior.”8

3. FATOS RELEVANTES

O ano de 2019 se mostrou altamente rentável e sólido, durante grande parte do ano o Ibovespa bateu recordes subsequentes e exponenciais testando seu topo incessantemente e batendo recordes inéditos.

Visualizamos também como abordado acima que uma das grandes reformas necessárias para pôr novos rumos à economia, cito a reforma da Previdência, foi aprovada e consequentemente sinaliza otimismo aos investidores locais e também ao capital externo, porém só mostrará aplicabilidade assertiva nas contas do erário público no médio e longo prazo.

No cenário político, verificamos a progressiva iniciativa e inclusão de medidas na agenda de reformas do governo, e muito embora ao decorrer do ano tenha ocorrido um “estresse” entre alguns dos poderes constituintes, a agenda reformista segue bons rumos e abre muito provavelmente espaço para novas medidas, entre elas uma principal que é a reforma tributária, e o cogitado pacto federativo, bem como também a reforma do saneamento.

Importante também não esquecer a forte tendência do atual governo pendendo para o lado das privatizações, que muito embora ainda não tenha realizado nenhuma privatização, já sinalizou e verbalizou várias vezes a possibilidade de ocorrência nesse sentido.

A cessão onerosa do excedente do pré-sal, aparentemente não surtiu os efeitos desejados, e não captou os recursos desejados do capital estrangeiro, no entanto o governo recebeu cerca de aproximadamente R$ 69,96 bilhões, sendo que “R$ 28,72 bilhões foram pagos pela Petrobrás e R$ 6,82 foram pagos pelas empresas chinesas CNODC e CNOOC”.9

4. RETROSPECTIVA DO CENÁRIO GLOBAL

No cenário global verificamos que houve uma forte recuperação do mercado após a mudança de posição de Powell. Após o fim do ano de 2018, as ações americanas iniciaram o ano de 2019 de forma espetacular.

Entendemos que essa alta nos mercados americanos se deu em detrimento da mudança na política do Fed. Em especial a mudança “dovish” na política do Banco Central Americano.

As políticas de afrouxamento do Fed resultaram no fato de Wall Street atingir máximas históricas.

Verificamos também que houve um grande receio do mercado e uma grande aversão ao risco, observado a ameaça do presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, de elevar as tarifas que incidem sobre os produtos chineses.

Houve volatilidade nos mercados observada as preocupações com o acordo comercial entre EUA e China, bem como à política exercida pelo Fed.

Em determinado momento, autoridades chinesas deixaram a moeda do país romper o patamar simbólico de 7 iunes por dólar, atingindo seu nível mais baixo desde a crise financeira de 2008.

O Banco Central Europeu (BCE) anunciou possíveis medidas de estímulo objetivando reforçar a fragilizada economia da Zona do Euro. Desta forma, em novembro anunciou-se pelo BCE um corte em 10 pontos base, resultando em -0,5%.

E muito embora no radar deste ano observou-se a iminente possibilidade de uma guerra comercial entre China e EUA, uma possível recessão global, e também à vista o processo de Impeachment do Presidente dos EUA, Donald Trump, os mercados mantiveram-se firmes e de certa forma ignoraram esses fatores, renovando máximas e testando novos topos.

“Quanto à desaceleração do crescimento global, destacamos algumas contrapartidas positivas pelo lado chinês, sinalizando seu compromisso na mitigação dos efeitos da guerra comercial com os EUA:

(I) os dados de atividade surpreenderam positivamente, sugerindo leve retomada da economia chinês e;

(II) anúncio de medidas visando o estímulo à atividade pelo PBoC (Banco Central da China).”10

5. FATOR AMÉRICA LATINA

Um dos fatos que causa grande incômodo e gera receio e é um dos entraves à um possível desenvolvimento acima do esperado para nosso país, é o momento de crise geopolítica que a América Latina vem sofrendo, muitos dos países vizinhos do Brasil, cinco dos países que compõe nossa região estão sofrendo com algum tipo de pressão que é um óbice ao desenvolvimento de suas economias.

Argentina, Peru, Colômbia, Equador e Venezuela mergulharam em problemas internos, situações de violência, tensões políticas que ameaçam a democracia, e geram grande aversão aos investidores do exterior.¹¹

Segundo Jorge Roldos chefe de divisão de estudos regionais do Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional, "Na América Latina, os dois fatores que são importantes para suportar o crescimento não estão muito fortes. Um deles é a situação do mercado de trabalho. No Brasil, há problemas de criação de empregos formais, isso não suporta um crescimento sustentável".¹²

No entanto, em um cenário positivo, na contramão do que retrata Jorge Roldos, muitos apostas em uma possível inversão desse cenário e de um crescimento gradual, tendo como base as estratégias aplicadas em busca de uma retomada do crescimento das economias.

A perspectiva é que haja um crescimento, no entanto de forma gradual.

O Goldman projetou que na Argentina haverá uma retração do PIB em 1,3% em 2020. No entanto países como Colômbia (+3,4%) e Peru (+3,3%) compensariam essa retração do PIB Argentino.

Para o México a expectativa é de crescimento de 1,1% para o próximo ano, para o Chile a projeção foi atenuada em 1,7% de crescimento observada as tensões internas do país.

Contudo, o cenário otimista de crescimento pode ser consideravelmente atenuado e revertido pelos resultados das eleições presidenciais dos EUA, alterando fortemente o humor dos mercados dependendo do resultado; a escalada guerra comercial de China e EUA que podem gerar uma queda nos preços das commodities caso continue o conflito comercial travado entre as 2 potências.¹³

6. PERSPECTIVAS PARA 2020

Para o ano de 2020 observando o cenário macro e micro econômico, fazendo vistas à atual conjuntura econômica, concluímos que o cenário é muito positivo. Com a atual política de crédito dos juros baixos no globo, e também pela atual política monetária exercida pelo Banco Central do Brasil, haverá de certa forma uma expansão na geração de lucro e aumento de caixa nas empresas instaladas no país. Nada obstante, importante destacar também que se a taxa de desemprego continuar a cair, poderemos ver ascendentemente um crescimento exponencial no consumo das famílias brasileiras, que hoje ainda está de certa forma ponderado pelo relativamente baixo poder de compra da maioria das famílias brasileiras.

Muito embora o Ibovespa em 2019 tenha atingido margens e topos históricos, em um cenário muito otimista, há ainda muito espaço para crescimento em 2020, observado que o P/L da maioria das empresas ainda está na média histórica do mercado, e em um cenário de taxa de juros em baixa, poderemos vislumbrar crescimentos nos resultados das empresas, reduzindo desta forma ainda mais o P/L.

Nesse sentido conforme matéria do site Valor “Esperamos um crescimento no lucro das empresas do Ibovespa de 22%. Dessa forma, haverá ampliação do múltiplo P/L para 13 vezes, em função de uma percepção menor de risco dos investidores. Essa percepção se dá por causa do crescimento econômico, da taxa de juros em patamares baixos, da inflação controlada, da agenda de reformas estruturais, da recuperação do setor de materiais pesados e commodities e da confiança do consumidor”, diz Luis Sales, analista da Guide Investimentos.14

Como veremos a seguir as principais casas de recomendações, e corretoras, depositam em 2020 crescimento ponderado do atual percentual da bolsa.

O Santander vê as ações brasileiras se beneficiando de uma combinação de PIB acelerando e inflação controlada, estrategistas do banco liderados por Daniel Gewehr escreveram em um relatório na última quarta-feira. "Embora a assimetria seja menos atrativa após uma performance robusta, nós acreditamos que o mercado brasileiro deve testar múltiplos mais elevados.”

Apesar do rali do mercado brasileiro em 2019, os estrangeiros retiraram cerca de R$ 15 bilhões de ações brasileiras no ano até 17 de dezembro. Excluindo o fluxo de entrada via ofertas de ações, a saída totaliza cerca de R$ 42 bilhões, de acordo com dados da B3.15

Já a equipe da XP “em relatório, afirma que os lucros das empresas também devem ser impulsionados, com despesas financeiras ainda menores e alavancagem operacional, como reflexo dos juros baixos e crescimento em vias de aceleração.”16

Aguardamos para os primeiros meses uma possível correção, tendo em vista algumas realizações, no entanto acreditamos no crescimento do índice se toda a conjuntura econômica continuar a sinalizar de forma positiva. No entanto o investidor deverá não somente se ater aos fatores locais; fatores externos, e principalmente a guerra comercial entre EUA-China ainda deverão estar na mira do investidor, que deverá se ater aos sinais que podem colocar seu capital em risco.

É possível um novo corte na SELIC, acreditamos que num primeiro momento a taxa básica poderá chegar a 4,25%, no entanto ficará de certa forma sujeita ao desempenho da inflação. Se o cenário econômico global permitir é possível também novos cortes além do supracitado.

Reforçamos ser muito importante mitigar os riscos, diversificando a carteira em busca de negócios sólidos, desta forma prevenindo-se inclusive do risco de uma iminente e possível desaceleração da economia em 2020, que muito embora existam mecanismos para evitar esse evento, ainda há incertezas que permeiam esse campo.

Importante também destacar que 2020 é ano de eleições presidenciais nos EUA e este fato por si só pode gerar impactos nos mercados globais.

Casas como XP Investimentos e Modalmais, porém, projetam que o índice possa chegar a 140 mil pontos em 2020, o que representaria uma alta de 21%. O BTG Pactual e a Genial Investimentos falam, respectivamente, em 134 mil e 135 mil pontos.17

Natan Miguel da Silva
Criador e fundador do website Legis Maxima
https://www.legismaxima.online/

FONTES E REFERÊNCIAS

· 1. https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,ibovespa-renova-minimaecai-0-75-aos-115-mil-pontos,70003139865

· 2. https://epocanegocios.globo.com/Brasil/noticia/2019/10/reforma-da-previdência-na-versao-final-aprovada-no-senado-quais-mudancas-podem-ajudar-economia.html

· 3. https://g1.globo.com/economia/noticia/2019/12/27/desemprego-fica-em-112percent-em-novembro-diz-ibge.ghtml

· 4. https://www.infomoney.com.br/mercados/risco-pais-cai-paraomenor-nivel-em-nove-anos/

· 5. https://www.creditas.com.br/exponencial/saque-do-fgts-entenda-os-impactos-na-economiaeno-seu-bolso/

· 6. https://www.poder360.com.br/economia/risco-pais-do-brasil-atinge-menor-nivel-desde-2013/

· 7. http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2019-12/standard-poors-eleva-perspectiva-da-nota-do-brasil

· 8. https://exame.abril.com.br/economia/bc-segue-mercadoesobe-projecao-de-crescimento-do-pib-em-2019-para-12/

· 9.https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/política/2019/10/13/interna_politica,797084/maior-economia-da-america-do-sul-brasil-ve-crises-na-regiao.shtml

· 10. https://www.gazetadopovo.com.br/economia/cenario-economico-nao-tem-boas-perspectivas-america-latina-diz-fmi/

· 11. https://moneytimes.com.br/veja-5-apostase5-riscos-paraaamerica-latina-em-2020-segundoogoldman-sachs/

· 12. https://valor.globo.com/brasil/noticia/2019/12/27/governo-federal-recebe-bilhoes-restantes-do-excedente-da-cessao-onerosa-do-pre-sal.ghtml

· 13. https://reag.com.br/perspectiva-economicaedo-mercado-financeiro-outubro-19/

· 14. https://valorinveste.globo.com/mercados/renda-variavel/bolsaseindices/noticia/2019/12/04/para-onde-vaiabolsa-em-2020-os-analistas-respondem.ghtml

· 15. https://economia.uol.com.br/noticias/bloomberg/2019/12/23/melhor-indice-de-acoes-das-americas-deve-subir-15-em-2020.htm

· 16. https://criptonizando.com/2019/12/23/relatorio-indica-melhores-acoes-para-investir-em-2020/

· 17. https://www.creditas.com.br/exponencial/saque-do-fgts-entenda-os-impactos-na-economiaeno-seu-bolso/

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